A gestão da infraestrutura urbana e o planejamento hídrico na Cidade de São Paulo enfrentam desafios crescentes devido à instabilidade climática e à ocorrência de eventos extremos. Este estudo analisa o comportamento da precipitação pluviométrica na capital paulista entre 2010 e 2025, propondo uma previsão para o regime hidrológico de 2026. A compreensão desses índices é vital para a sobrevivência urbana, permitindo prever alagamentos, monitorar áreas de risco de deslizamentos e gerir a segurança hídrica dos sistemas de abastecimento, como o Cantareira. Para tanto, foram empregados modelos de regressão linear para análise de tendência e Modelos Aditivos Generalizados Mistos (GAMM) com distribuição Tweedie para modelar a complexa sazonalidade e a variabilidade dos dados.
Os resultados demonstram que, embora o volume anual acumulado apresente estabilidade estatística no longo prazo ($p\text{-valor} = 0,77$), indicando que o volume total de chuva permanece essencialmente o mesmo desde 2010, há uma perigosa concentração da precipitação em eventos de curta duração. A análise revela uma “assinatura” climática com forte sazonalidade: picos acentuados no verão (janeiro e fevereiro), com médias estimadas acima de 250 mm, e vales de seca extrema no inverno (agosto), com valores médios próximos a 50 mm. O modelo identificou que o “Risco São Paulo” está associado a tempestades severas que superam 120 mm em um único dia, sobrecarregando o sistema de drenagem e paralisando a mobilidade urbana.
Preocupantemente, o ano de 2025 foi marcado por extremos, incluindo recordes de inundação em abril e uma seca severa ao final do ano, que levou os reservatórios a níveis críticos (26,1% de volume útil no início de 2026). O modelo preditivo para 2026 estima um regime de normalidade sazonal, com picos esperados em fevereiro (253,21 mm) e recuperação em março (184,03 mm). Conclui-se que a resiliência de São Paulo depende de políticas públicas focadas na gestão eficiente dos reservatórios e na mitigação dos riscos de eventos extremos, uma vez que a variabilidade mensal e os outliers de precipitação representam riscos socioeconômicos elevados, independentemente da estabilidade da média anual.
Palavras-chave: Pluviometria, Modelo Tweedie, Planejamento Urbano, Risco Climático, São Paulo.
Mario Antonio Margarido [1]
Rogerio Acca [2]
[1] Pós-Doutor em Economia (EESP/FGV). Senior Partner e Líder de Econometria da Pezco Economics e Pesquisador do PSP Hub. Email: mario.margarido@pezco.com.br [2] Doutor (PhD) em Políticas Públicas (Cornell University). Consultor do PNUD e Consultor Associado da Fractal Assessoria. Email: ra239@cornell.edu