Este working paper apresenta uma análise abrangente sobre a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), com foco no Sistema Cantareira, principal estrutura de abastecimento de água da região e responsável pelo atendimento de aproximadamente 22 milhões de habitantes. Diante da tendência de redução do volume útil observada entre 2023 e 2025, o estudo utiliza o modelo Bayesian Structural Time Series (BSTS) para projetar o comportamento do sistema entre abril de 2026 e março de 2028, avaliando riscos de esgotamento hídrico e cenários futuros de operação.
O estudo detalha:
- A Estrutura Hídrica da RMSP: Uma análise do papel estratégico do Sistema Cantareira e sua integração com outros sistemas de abastecimento, como Guarapiranga, Alto Cotia, Rio Grande, Rio Claro e São Lourenço, evidenciando a dependência da metrópole paulista de um complexo arranjo de reservatórios e bacias hidrográficas.
- A Aplicação do Modelo BSTS: Uma avaliação do uso de Modelos Bayesianos Estruturais para previsão hidrológica, incorporando tendência, sazonalidade, variáveis exógenas e distribuições probabilísticas de risco. O modelo mostrou elevado poder explicativo (R² de 0,9991), confirmando a importância da precipitação e da inércia hídrica como fatores centrais na dinâmica do reservatório.
- Os Cenários de Risco Hídrico: Uma projeção que demonstra a manutenção dos ciclos sazonais de recarga no verão e exaustão no inverno, porém com maior vulnerabilidade entre setembro e novembro de 2027. Nesse período, o risco estatístico de utilização do “volume morto” pode atingir entre 8% e 10%, especialmente sob cenários climáticos adversos.
- A Sensibilidade da Chuva ao Sistema: Uma investigação sobre como o impacto da precipitação varia ao longo do ano. O estudo demonstra que as chuvas entre dezembro e março possuem maior eficiência de recarga devido à saturação do solo, enquanto precipitações isoladas no período seco apresentam efeito reduzido sobre o volume útil do sistema.
- Estratégias de Gestão e Contingência: Uma discussão sobre a necessidade de monitoramento contínuo, planejamento preventivo e políticas de gestão de demanda para mitigar os riscos associados à variabilidade climática. O estudo conclui que, embora o Sistema Cantareira apresente resiliência operacional, sua estabilidade futura dependerá da sincronização entre eventos climáticos e eficiência hídrica sazonal.
Palavras-chave:
Mario Antonio Margarido [1]
Frederico Araujo Turolla [2]
[1] Doutor em Economia Aplicada (Esalq/USP). Senior Partner e Líder de Econometria da Pezco Economics e Pesquisador do PSP Hub. Email: mario.margarido@pezco.com.br
[2] ] Doutor em Economia de Empresas (EAESP/FGV). Senior Partner da Pezco Economics e Presidente do PSP Hub. Email: fredturolla@pezco.com.br